Saúde com Ciência aborda situação de vulnerabilidade de pessoas em situação de rua no contexto da pandemia.

Durante a pandemia, proteger as pessoas em situação de rua se tornou um desafio. Isso porque, principalmente em épocas de frio, é comum que elas se aglomerem para se manterem aquecidas. Além disso, o consumo de álcool e outras drogas tende a aumentar. Mas, para as mulheres gestantes que vivem nas ruas, o cenário atual é ainda mais preocupante, uma vez que aumenta os riscos dessa gestação.
“Essas pessoas estão muito à margem, com acesso dificultado à saúde e, muitas vezes, têm doenças crônicas que não foram diagnosticadas ou fazem uso excessivo de drogas”, aponta o infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Mateus Westin. Nesse sentido, essas pessoas constituem grupo de risco para casos mais graves de infecções por coronavírus.

Para as mulheres gestantes que estão em situação de rua, esses problemas se agravam diante os esforços que uma gravidez exige.

Segundo a especialista, os riscos na pandemia se tornam maiores, uma vez que essa população não tem muitos recursos para se protegerem. “Elas não têm asseguradas sua alimentação, têm mais dificuldade de acesso aos serviços de saúde e demora na busca dos serviços de saúde. Estão sozinhas, muitas vezes sem capacidade de saúde mental”, relata.

Ainda de acordo com Sônia Lansky, existem consultórios nas ruas para atender essa população, mas muitas áreas e pessoas ainda estão descobertas em todo o país.

Maternidade nas ruas se agrava com pandemia
Saúde com Ciência aborda situação de vulnerabilidade de pessoas em situação de rua no contexto da pandemia

08 DE JUNHO DE 2020 – CORONAVÍRUS, COVID-19, GESTAÇÃO, MATERNIDADE, NOVO CORONAVÍRUS

Durante a pandemia, proteger as pessoas em situação de rua se tornou um desafio. Isso porque, principalmente em épocas de frio, é comum que elas se aglomerem para se manterem aquecidas. Além disso, o consumo de álcool e outras drogas tende a aumentar. Mas, para as mulheres gestantes que vivem nas ruas, o cenário atual é ainda mais preocupante, uma vez que aumenta os riscos dessa gestação.

Ao longo desta semana, o Saúde com Ciência traz série de reportagens sobre pessoas em situação de rua, que estão à margem dos cuidados e políticas públicas, e como essa situação é agravada em tempos de pandemia. Confira aqui!

“Essas pessoas estão muito à margem, com acesso dificultado à saúde e, muitas vezes, têm doenças crônicas que não foram diagnosticadas ou fazem uso excessivo de drogas”, aponta o infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Mateus Westin. Nesse sentido, essas pessoas constituem grupo de risco para casos mais graves de infecções por coronavírus.

Para as mulheres gestantes que estão em situação de rua, esses problemas se agravam diante os esforços que uma gravidez exige.

“A gravidez eleva a necessidade de alimentação adequada, condições de vida adequadas, muitas delas sofrem violência nas ruas, não têm acompanhamento pré-natal, têm alto consumo de drogas e deficiências de algumas vitaminas”,

pontua a médica epidemiologista e professora colaboradora da pós-graduação em Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, SÔNIA lANSKY.
Segundo a especialista, os riscos na pandemia se tornam maiores, uma vez que essa população não tem muitos recursos para se protegerem. “Elas não têm asseguradas sua alimentação, têm mais dificuldade de acesso aos serviços de saúde e demora na busca dos serviços de saúde. Estão sozinhas, muitas vezes sem capacidade de saúde mental”, relata.

Ainda de acordo com Sônia Lansky, existem consultórios nas ruas para atender essa população, mas muitas áreas e pessoas ainda estão descobertas em todo o país.

Saúde com Ciência traz série de reportagens sobre pessoas em situação de rua, que estão à margem dos cuidados e políticas públicas, e como essa situação é agravada em tempos de pandemia. Ouça aqui.
Perfil
Em geral, as mulheres constituem menor parcela da população de rua. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em torno 15% da população em situação de rua são mulheres, de acordo com censo realizado em 2019 pela Prefeitura. Esse número corresponde a 3.600 mulheres em situação de rua, sendo a maior população de rua do país. Nesse mesmo censo, foram contabilizadas 216 grávidas. A maior parte dessas mulheres são negras, o que evidencia a estrutura de exclusão racial existente no país.

“Isso não quer dizer que não tenham especificidades em suas vulnerabilidades e que a levam a situação de rua. Em geral, elas vêm de uma situação de violência na vida familiar, que incluem a sexual e domésticas, de perdas precoces e fragilidades que ameaçam essa permanência em casa”, pontua a professora da Faculdade de Direito da UFMG e coordenadora da Escola de Formação em Direitos Humanos do Polos de Cidadania da UFMG, Marcella Furtado.

Mais gestações
De acordo com ela, as mulheres em situação de rua engravidam quatro vezes em média, enquanto a média das mulheres brasileira em geral é de 1,9 gravidezes. Para a professora Marcella Furtado, é importante que essas mulheres encontrem apoio em políticas públicas, nas equipes de atendimento para a garantia de saúde mental e para lidar com questões de uso e abuso de drogas.

“Em geral, são os consultórios de atendimento de população e os CRAs [Centro de Referência em Assistência Social] que oferecem algum tipo de apoio, mas muitas vezes há descontinuidade, dificuldade de atendimento de todas as pessoas, baixo número de servidores”, avalia a professora.

Ela também reforça a necessidade de abordagem mais específicas para os cuidados a essas mulheres, especialmente neste momento de pandemia. “O problema não é só moradia e higiene, passa por educação, renda, dignidade e respeito por direitos humanos, em geral tem histórias pessoas complicadas de violência. Precisaria de uma abordagem específica e cuidados, com projeto terapêutico”, conclui.

Fonte: www.medicina.ufmg.br